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Carneirinhos e bolinhas de sabão

02/12/2010

Minha cabeça* fervilha. O tempo todo. Estou querendo dizer que sou uma pessoa extremamente estressada e ansiosa. Sei que isso não é algo positivo, mas é inevitável. Ok, talvez eu pudesse evitar tudo isso com a ajuda de alguns psicotrópicos, mas, por enquanto, opto por tentar uma convivência minimamente pacífica e harmônica com o estresse e a ansiedade.

O fato é que o meu objetivo é alcançado diariamente parcialmente. Enquanto o sol brilha, consigo ignorar – na maioria das vezes – esses fantasminhas; mas à noite, particularmente na hora de dormir, o bicho pega: os fantasminhas me assombram enlouquecidamente. Penso em tudo que fiz, deixei de fazer, poderia ter feito, tenho que fazer, provavelmente não farei. Lembro do que me disseram, penso no que poderiam ter dito, imagino o que me dirão. E o mais grave: fico tentando adivinhar o porquê de tudo isso.

Imaginou? Essa loucura toda acontece na minha cabeça justamente na hora em que ela deveria parar de funcionar e apagar. Quando me dou conta disso, fico desesperada por que eu quero dormir, afinal de contas, coloquei o pijaminha, deitei na cama, liguei o condicionador de ar e apaguei a luz para isso. E eu não consigo fazer isso. Surtante.

Diante de tais circunstâncias, ao longo dos anos tentei desenvolver algumas técnicas para aplacar a fúria fora de hora da minha mente. Vou contar pra vocês as duas coisas que mais deram certo até hoje. Mas, por favor, que fique entre nós porque é ridículo e eu tenho vergonha.

a) Contar carneirinhos: Sei que esta técnica é antiga, todos nós que víamos desenhos animados durante as décadas de oitenta e noventa a conhecemos. Entretanto a minha contagem de carneirinhos é diferente, não é aquela monótona cena de carneirinhos todos iguais pulando a cerquinha. Não! Meus carneirinhos – de todas as cores e tipos físicos – passam por poucas e boas para conseguir atravessar a cerca. Uns precisam de banquinhos porque são baixinhos; alguns vêm pensando que são OS atletas e dão de cara na cerca; uns – espertinhos – passam se arrastando por baixo da cerca; os obesos – coitados! – sofrem para atravessar o obstáculo… Esta técnica, a princípio ultrapassada e monótona, com um pouco de criatividade, pode ser um excelente sonífero!

b) Bolinhas de sabão: Tem coisa mais bonita que bola de sabão? Eu acho lindo. Fico imaginando bolinhas de sabão ao ar. Mas não é simples assim, preciso imaginar o cenário do espetáculo, que é mais ou menos assim: um belo céu azul – com algumas nuvens que servem apenas para destacar o seu tom anil – com um belo e vívido flutuante arco-íris. Se ampliarmos a visão, podemos ver sob o céu colinas com pastos verdes e algumas vaquinhas holandesas. Ampliando mais, vemos um belo parque com um lago, onde nadam lindos patinhos. Ao redor do lago, pessoas felizes, algumas delas fazendo piquenique com toalha xadrez vermelha e branca. Crianças, correm, pulam corda; um menino brinca com seu cachorrinho, joga a bolinha e ele a traz de volta. Mas tudo isso só serve para ambientá-lo: um menino solitário, sentado num pequeno tronco de árvore caído, sopra bolinhas de sabão que se perderão no infinito. Esta técnica é uma criação minha e é ainda mais eficaz que a anterior, modéstia aparte.

Amigos, estas técnicas, se bem empregadas, funcionam, acreditem nisso! Quando vocês tiverem insônia provocada por crise de ansiedade, lembrem-se dessas imagens e tenham um encontro garantido com Morfeu. Bom, talvez não funcione tanto assim, afinal de contas é uma hora da manhã e, depois de uma tentativa frustrada de pegar no sono, estou aqui.

*Agora sem os dois fios de cabelo branco pois eles cresceram e ficaram exageradamente antiestéticos. O que um ano não faz com uma pessoa, não?

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4 comentários

  1. Se toda insônia gerasse textos assim, não seria nada negativo.
    Beijos!


  2. Ri muito com o texto, até porque me identifiquei absurdamente. Eu sempre fui uma pessoa de ficar super pensando em tudo na hora de dormir, sempre. Mas no ano de 2010 a coisa se acentuou de tal forma que recorri aos tranquilizantes fitoterápicos. Deus resultado, fiquei tomando durante 1 mês. Mas eu sou meio cismada com essa coisa de ficar tomando remédio ad eternum, então parei. Voltei a ter certa dificuldade, mas recorri ao médico (que coincidentemente é especialista em sono) que trabalha lá na empresa e ele me ensinou uma técnica MARAVILHOSA e simples: respirar fundo e se concentrar na respiração. Luzes apagadas, sem TV ligada, sem barulhos que possam distrair, o “inspira – expira” é batata. Tenta só.. ;]

    (Ahh, e esse assunto vai me render um post lá no blog..)

    Beijos, Manu!


  3. Essa técnica não funcionaria comigo pq eu sou muito estranha: toda vez que eu percebo que respiro, fico sem ar! Juro. E fitoterápicos eu já tentei, mas não adiantam nada pra mim, só a tarja preta resolve o meu problema… Mas, na verdade verdadeira, o melhor sonífero é o cansaço, né?
    Aguardo o post!
    Beijossssss!


  4. Pô, a dinâmica é essa mesma!? 1 texto por ano!?

    As bolhas não me instigaram muito, mas os carneirinhos de várias cores e formas e estilos de pensamento e personalidade diferentes… Isso sim é uma técnica pra se dormir! rs Vou tentar bjos



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