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Mamute Otelo

25/01/2011

A maioria das pessoas que conheço não gosta de assistir a filmes dublados. Para mim, sinceramente, isso não é muito importante. Vou te dizer que em algumas situações até os prefiro. Vez por outra, em casa, procuro um filme dublado na TV e deixo rolando enquanto faço coisas mil; fato que seria impossível com filmes legendados, visto que eles exigem atenção exclusiva. As animações eu também prefiro dubladas, pois assim eu posso focar a imagem. Creio que quando lemos as legendas, perdemos muito do visual dos filmes.

Porém, ainda que, conceitualmente, eu não tenha nada contra os filmes dublados, há algumas situações que, digamos, me perturbam um pouco. Uma delas é quando eu percebo que um mesmo ator possui dois dubladores, é o caso, por exemplo, do Will Smith; a voz dele nos filmes nunca é a mesma da do seriado Um Maluco no Pedaço. Isso me deixa confusa, gera uma crise na minha percepção da identidade do ator e eu levo um tempo pra conseguir me concentrar no filme, juro, é idiota, mas é verdade. Outro problema pra mim – este se dá somente quando assisto a animações – é quando eu identifico o dublador de um personagem. Quando vi UP – Altas Aventuras, assim que o Sr. Fredricksen abriu a boca, saquei que a voz era do Chico Anísio e, na minha mente, piscava com muita intensidade a cara do prof. Raimundo. Nesse caso eu também levei um bom tempo pra concentrar no filme e deixar o Chico Anísio pra lá.

Este último caso que citei, entretanto, nem se compara em gravidade com outra situação do mesmo gênero que vivi. Pouco tempo depois de assistir Era do Gelo 2 no cinema, fui ao teatro assistir Otelo, de Shakespeare. Bom, você deve estar se perguntando o que uma coisa tem a ver com a outra. Eu poderia responder que, em princípio, não tem realmente nada a ver. O grande problema é que essa montagem de Otelo era estrelada pelo Diogo Vilela que é, nada mais, nada menos, QUE O DUBLADOR DO MAMUTE MANFRED DA ERA DO GELO. Vocês podem imaginar? O Otelo abria a boca – na pele do Diogo Vilela – e meu cérebro só me mostrava a cara do Mamute Manfred. Dessa vez, não consegui me desligar da memória e me concentrar no agora. Nunca vi uma tragédia shakespeariana tão engraçada!

Esse post faz parte da iniciativa de um grupo de amigos: nós combinamos de no mesmo dia postar um texto sobre o mesmo tema nos nossos blogs! Dá uma conferidinha!

Blog da Pri

Blog do Vinícius

Blog do Diogo

Blog do Jônatas

VOCÊ SABIA?


Você sabia que no dicionário do Word 2007 não consta a palavra dublador?

Pois é, não consta.

Você sabia que filme legendado é mania de brasileiro?

No resto do mundo ninguém dá importância a isso.

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9 comentários

  1. Oi Manu! Curti muito o seu texto, principalmente porque os pensamentos são quase opostos aos meus, é quase como promotoria X defensoria. Gostei também dos flashs vindo à sua mente; o mamute quase deu uma trombada no Otelo!


  2. Que graça o seu jeito de escrever Manu. ADOREI a parada da crise de identidade por causa dos dois dubladores de Will Smith, pelo visto não é só você que consegue memorizar os dubladores, rs. Esse post tá bem legal e dou destaque para o ‘Você Sabia’ do final. Bem bolado. É legal escrever sobre o mesmo tema porque depois de ir no blog do Diogo e vir no seu eu consigo amplificar minhas opniões sobre o mesmo tema. Bom, que essa iniciativa continue. Beijos.


  3. […] dia (26/01/2011). Os outros blogs, além deste, são: Tá comigo, tá com deus; Casa dos Devaneios; Por dois fios; […]


  4. Sou suspeito pra comentar aqui, pois sou teu devoto e beijo teus pés sem nenhuma timidez. Bajulações à parte, me amarrei nesses “você sabia” finais. Quanto ao texto, é você falando diariamente, eu sabia cada linha dele e adoro ressabelas.
    Beijos. Te amo.


  5. Caraca! ia falar a msm coisa que o Vinicius!

    “voce sabia” foi genial

    copiarei, sem pensar duas vezes… rs


  6. nunca gostei da era do gelo. olhar o mamute e ver o diogo villela me tira o tesão pelo filme. não vejo dublado, nunca (sessão da tarde, não conta pq afinal é sessão da tarde), inclusive os desenhos.

    bizarro mesmo é um dublador fazer vários atores. conheci pessoalmente o cara que dublava o brad pitt e o george cloney. inacreditável. nesse dia entendi q era enganado e lerdo, nunca havia percebido. mas como afinal nunca havia percebido isso?? só apertando o sap..


  7. Acho que tanto dublagem quanto legendas tem cada um seu valor.

    Os filmes legendados em linguagem pura nos fazem perceber detalhes culturais inatos à cultura do filme em questão. Já a dublagem nos faria perceber como é a ADAPTAÇÃO desses mesmos à nossa língua (como Guilherme Briggs mesmo disse, dublagem acima de tudo é um trabalho de adaptação).

    Acho que você aprende mais sobre um idioma vendo dublado e legendado, do que vendo só dublado. Vendo os dois, pensando, comparando, falando sozinho no quarto, dá até pra aprender a dialogar legal.


  8. Agora que li o texto melhor, posso dizer que tive um choque semelhante ao da minha irmã, quando fui ver a transformação dos Changeman EM JAPONÊS! Não pela voz do Griphon que era razoavelmente parecida, nem pelas vozes da Phoenix e do Pegasus, cujos dubladores fizeram idêntico ao original, mas por Dragon e Mermaid.

    DRAGON: Esqueçam aquela voz grossa, aquilo não existe! o Haruki Hamada (ator original) tem uma voz jovialíssima, ainda que adulta, completamente diferente da dublagem. Aquilo me incomodou e fico pensando o que o Gilberto Barolli (diretor de dublagem e voz do Comandante [Sargento foi adaptação] Ibuki) bebeu pra escolher Paulo Ivo e Ricardo Medrado (o cara havia dublado o MacGaren), só pra vocês terem idéia.

    MERMAID: Cacilda! A atriz Hiroko Nishimoto tem uma voz fina irritante demais! Parece uma pré-adolescente pré-púbere! Aí sim, dei graças a Deus por Neuza Machado que não nos submeteu a isso.


  9. Jura que é mania de brasileiros? hahah

    Eu não suporto filmes dublados, acho que as vozes não se encaixam com a pessoa. Na verdade desconfio, aí vou na famosa tecla sap (cujo nome NUNCA é sap, ou pelo menos não mais) e confirmo a disparidade. Depois disso fico achando a voz brasileira uma farsa mal feita. hahahaha

    Beijos!



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