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Tempo, tempo, tempo

15/03/2011

A cada dia a gente tem a impressão de que o tempo corre mais rápido e, quando a gente comenta isso com os outros, todos costumam concordar. Eu sempre acreditei nisso, não compreendendo, porém, ao certo, o porquê, mas tendo uma certeza empírica que, de fato, as coisas são assim, mais velozes a cada dia. Confesso que, também, nunca busquei uma explicação para este fenômeno, mas um dia ela veio até mim.

Na faculdade de Geografia, tive aula com um dos grandes geógrafos brasileiros, seu nome é Roberto Lobato Correa, me orgulho muito de ter feito parte de sua penúltima turma de alunos na graduação antes de sua aposentadoria compulsória. Do alto de seus quase 70 anos, o velhinho já não ouvia e nem enxergava como antes, mas memorizava os nomes dos alunos pela posição em que se sentavam na sala, já  não tinha mais acuidade visual para desvendar as fisionomias. O que, naturalmente, era um problema, já que – por mais que houvesse um acordo tácito de quem sentaria onde – era normal que houvesse um rodízio de lugares.

Pois bem, a disciplina que estudei com o professor Lobato foi Geografia Cultural e, no meio de tantas discussões sobre espaço – o objeto maior da Geografia – não pudemos prescindir de apreciações teóricas acerca do tempo. Foi quando mais um mistério se revelou para mim, foi quando meu horizonte chegou um pouquinho mais para trás e foi mais um daqueles momentos em que a gente percebe que não sabe nada.

A nossa relação com o tempo muda ao longo da vida. Quando fui um bebê de um mês de vida, um dia representou três por cento do meu tempo de existência. Hoje, tenho 25 anos e o que é um dia para quem já viveu quase dez mil deles? E foi nesse momento que eu compreendi esse mecanismo tão óbvio, mas que nunca havia se revelado para mim. Só então eu entendi porque chega uma época na vida em que o descartável não serve mais, uma época em que o que importa é o que podemos fazer permanecer.

Mas tenho só 25 anos e ainda pretendo viver por muito e muito tempo e o meu conceito de durável já não será mais o que é.

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3 comentários

  1. “O tempo passa, o tempo voa” diria o comercial do banco que nem existe mais.
    “Maldito tempo que se acaba quando estou contigo.” diria o magnífico poeta Alexandre Pires
    “Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede.” Diria o heterônimo do Pessoa, Alberto Caeiro, um pouco menor que o poeta acima.
    O bom do tempo, seja rápido ou lento, é que gasto contigo.


  2. Muitas vezes, quando vejo reflexões sobre o tempo, lembro de Eclesiastes. Aquela “vaidade” que o sábio diz é muito mal compreendida. Ele não fala sobre o sentimento de orgulho estético que chamamos de vaidade. Na verdade, ele reflete sobre todas as coisas que vão, como tudo vai, e é assim mesmo, vaidade… todos os dias são.


  3. faz sentido a sua lógica… esse texto é uma mistura que lemebra como uma onda e metamorfose ambulante…



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