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Proibido colocar macumba

27/04/2011

Fiquei triste ao ver esta placa no larguinho aqui perto de casa. Não, não fiquei triste porque eu costumava colocar macumba ali, fiquei triste porque a macumba ali naquele lugar me rendeu boas risadas e uma boa história.

Perto daquele larguinho, do outro lado da rua, há um ponto de ônibus. Ponto este, no qual desço muitas vezes que volto de ônibus para casa. Eu sempre atravesso a rua e passo pelo largo, que freqüentemente era sede de manifestações religiosas, para vir pra casa. Não sou muito fã, digamos assim, destas manifestações porque elas poluem muito o ambiente. Respeito a fé das pessoas, mas acho que quando a fé suja a cidade, ela não é tão legal assim.

Pois bem, certo dia, voltava pra casa, quando – depois de descer do ônibus – passei pelo larguinho. Eu sempre fico no larguinho esperando para atravessar o outro pedaço da rua e nesse dia não foi diferente. Estava lá parada quando olhei para baixo, assim meio pro lado e estava lá uma macumba. Não era uma macumba com galinha morta e farofa, era uma macumba diferente: TINHA UM MIOJO NA MACUMBA.

Aí fiquei pensando, que coisa interessante, né? As religiões como um todo estão se adaptando à modernidade, ninguém tem tempo pra mais nada. Matar galinha faz perder muito tempo, fazer farofa também. E comprar um bode? Nem se fala… Além disso, miojo não atrai urubu, o que é super positivo. Só acho que seria melhor colocar o miojo fora da embalagem, porque a embalagem não é biodegradável, seria mais ecológico.

A pessoa que fez esse trabalho devia estar querendo seu amor de volta em três minutos. Será?

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Deu tudo errado, mas tá tudo certo…

13/04/2011

É, amigos, hoje, mais do que nunca, eu tenho certeza que “planos são só planos, nada mais”.

Quinta passada, justamente na hora de dormir, deitada em minha caminha, surtei. Comecei a lembrar das coisas que eu tinha para fazer e que o prazo estava se esgotando. Eu tinha que ir no colégio que terminei o ensino médio pegar a cópia do D.O.U. com a publicação da minha formatura, na faculdade colar grau e em outra faculdade me inscrever em uma pós. Desesperada com tudo isso e sem conseguir dormir, levantei da cama, liguei o pc e comecei loucamente e copiar documentos para poder fazer tudo que eu precisava na primeira hora de sexta.

Depois disso consegui dormir e acordei na sexta bem cedinho. Parti pro C.E. Brigadeiro Schorcht e, quando cheguei lá, descobri que que o D.O.U. com a publicação da minha formatura havia sido roubado. Mas só o que eu precisava, tá? Todos os outros estavam lá. Sendo assim, teria que rumar pra Assembléia Legislativa pra pegar a cópia do documento. Bom, mudei meus planos e fui pro centro. Ok, tudo certo. Com a cópia em mãos, agora eu deveria partir para o Fundão e colar o grau.

Fui pro Fundão e, chegando lá, descobri que a Secretaria Acadêmica, às sextas-feiras, não possui atendimento ao público, apenas funciona em trabalho interno (AHAM!). Todos os meus planos foram por água abaixo, pois sem concluir essa etapa, não poderia partir para a seguinte. Só me restava voltar pra casa.

Fiquei uns 40 minutos esperando o ônibus e voltei em pé para casa. Mas depois de tanta coisa dar errado, bateu aquela sensação de que não poderia ser diferente e eu me conformei, não consegui nem me lamentar, nem me irritar. Quando cheguei em casa, prometi no twitter compartilhar o dia com vocês, mas eu estava tão cansada que apaguei. Depois tive um milhão de coisas para fazer e também não tive tempo.

Felizmente na segunda-feira consegui resolver todos os problemas. É claro que não foi tudo simples e natural. Vários problemas surgiram ao longo do dia, mas todos foram contornados. E hoje, mais tranqüila e feliz, conto minha historinha para vocês.

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Meme: Aos 25…

30/03/2011

Este post é o primeiro meme do meu blog. A inspiração veio do blog da Rachel – uma amiga de muito tempo atrás com quem tive uma amizade bem legal durante algum tempo, chegamos até a dividir um namorado, mas isso já faz 10 anos. Aliás, essa é uma história interessante: eu gostava do menino aí começamos a namorar, só que ele gostava dela, aí terminou comigo e ficou com ela, só que ela nem gostava muito dele e terminou o namoro com ele e ele ficou sem ninguém – quase a Quadrilha do Drummond. Bom, mas tudo isso serviu para que nos aproximássemos e tornássemos amigas. Hoje nossa relação se dá em âmbito virtual, mas tenho excelentes lembranças de bons momentos passados juntas.

Aí vai o meme:

Aos 25…

Eu sou bem-humorada.

Eu quero ser mais otimista.

Na minha casa tem muito trabalho, mas, contraditoriamente, só lá eu descanso.

Eu encano com o que devem estar pensando ao meu respeito.

E acredito em Deus, e que sua essência é o amor.

Tenho medo de não terminar as coisas que começo.

Acho graça em coisas bobas, como bebês fofinhos e pessoas falando errado, aliás, adoro falar errado, trocar sílabas, me divirto muito!

Choro com qualquer coisa, eu estou cada vez mais chorona. Choro vendo jornal, novela, filme, comercial, quando ouço palavras bonitas etc.

Não vivo sem carinho.

Tenho mania de comer, adoro comer e como mais do que preciso.

Meus três melhores amigos são, na verdade, dois, o primeiro é meu marido e o segundo, meu grande amigo, Éric Borges.

Eu tenho como heróis a ninguém, não tenho heróis, mas admiro pessoas com histórias de superação.

Meu sex symbol é Chico Buarque de Holanda, com seus olhos ardósia, sua poesia genial e toda sua falta de habilidade social.

O amor é doação e abnegação.

Meu livro de cabeceira é nenhum, não tenho um.

Meu vinil preferido é nenhum, não possuo vinis, mas o Chico é o cara, tenho a discografia completa em mp3.

Meu sapato favorito é Havainas ever, pena que não são adequadas para toas as situações.

No meu armário não falta muito preto e branco.

Minha balada preferida é nenhuma, sem balada… cineminha, comida boa e companhia boa, sim, sempre.

Minha luta é contra a procrastinação.

Meu maior fora foi levar mais de um ano para fazer a minha monografia…

Minha bola dentro foi meu casamento (pelo menos até agora, rs).

As pessoas acham que sou grossa e estressada.

Mas eu juro que sou uma fofa com coração de manteiga.

O que eu mais ouço é Calma, Nô*”…

Eu me sinto livre quando termino de fazer algo que comecei.

Rezo para ser uma pessoa melhor a cada dia, para ajudar aos demais.

Meu ponto fraco é, na verdade são muitos, mas destaco a falta de persistência.

Meu grande charme é, hum, bem, desconheço, hahahahah.

No chuveiro, eu canto qualquer coisa que eu lembrar, aos berros.

De madrugada, eu tento dormir, se não consigo, surto pensando na vida.

Meu meio de transporte é ônibus, trem, metrô, van, carona, o que vier, não estou em condições de escolher.

Eu tenho a ilusão de ter um sexto sentido fenomenal.

Se alguém disser que eu serei presidente eu respondo “aham, senta lá”.

*A maioria das pessoas não sabe, mas meu principal apelido – não em popularidade, mas em tempo de existência – é Nô. Toda minha família, parentes e amigos que convivem na minha casa me chamam de Nô. A explicação é que quando eu era uma bebezinha e estava aprendendo a falar, minha mãe falava para eu repetir meu nome – Emanoelle – e tudo que eu conseguia dizer era Nonô. Desde então este apelido evoluiu bastante, já foi Nonozica, Nonozelda e uma série de outras variações, mas a que se consolidou foi Nô.

Se você for fazer esse meme, me conta pra eu poder ler também! *_*

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Todas elas juntas num só ser

28/03/2011

Você conhece essa música do Lenine? Eu acho essa música muito legal, não só pela música em si, mas porque imagino que ela deu muito trabalho pra ser escrita! Por mais que o cara saiba tudo de música, fazer uma sistematização como a que ele fez, exige muito tempo e pesquisa. Fico imaginando ele no Letras clicando no nome dos músicos e procurando as canções para se lembrar. Depois, acho que ele fez uma planilha no Excel e, na primeira coluna, colocou o nome do compositor e, na segunda, os nomes das mulheres que eles cantaram. Depois disso ele começou a misturar e encaixar tudo e ficou desse jeito!

Para mim, é impossível ouvir essa música sem tentar identificar as canções que ele menciona. Muitas eu identifiquei, mas outras não e fiquei aflita com isso. Por isso, resolvi pesquisar e colocar a letra da música com os links que levam às canções que ele menciona. Deu um trabalhinho, mas que, certamente, nem se compara com aquele que o Lenine teve no momento da criação! Algumas, não consegui identificar, elas estão nesta cor. Caso você conheça, me diga que eu linko. Confere só:

Todas Elas juntas Num Só Ser

Composição : Lenine / Carlos Rennó

Não canto mais Bebete nem Domingas
Nem Xica nem Tereza, de Ben Jor
Nem Drão nem Flora, do baiano Gil
Nem Ana nem Luiza, do maior
Já não homenageio Januária
Joana, Ana, Bárbara de Chico
Nem Yoko, a nipônica de Lennon
Nem a cabocla de Tinoco e de Tonico

Nem a tigresa nem a Vera Gata
Nem a branquinha de Caetano
Nem mesmo a linda flor de Luiz Gonzaga
Rosinha do sertão pernambucano
Nem Risoflora, a flor de Chico Science
Nenhuma continua nos meus planos
Nem Kátia Flávia de Fausto Fawcett
Nem Anna Júlia do Los Hermanos

Só você, hoje eu canto só você
Só você, que eu quero porque quero, por querer

Não canto de Melô, Pérola Negra
De Brown e Herbert, nem uma brasileira
De Ari, nem a baiana nem Maria
Nem a Iaiá também, nem minha faceira
De Dorival, nem Dora nem Marina
Nem a morena de Itapoã
Divina garota de Ipanema
Nem Iracema,de Adoniran

De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda
De Michael Jackson, nem a Billie Jean
De Jimi Hendrix, nem a doce Angel
Nem Ângela nem Lígia, de Jobim
Nem LiaLily Braun nem Beatriz
Das doze deusas de Edu e Chico
Até das trinta Leilas de Donato
E da Layla, de Clapton, eu abdico

Só você, canto e toco só você
Só você, que nem você ninguém mais pode haver

Nem a namoradinha de um amigo
E nem a amada amante de Roberto
E nem Michelle-me-belle, do beattle Paul
Nem Isabel – Bebel – de João Gilberto
Nem B.B., la femme de Serge Gainsbourg
Nem, de Totó, na malafemmená
Nem a Iaiá de Zeca Pagodinho
Nem a mulata mulatinha de Lalá

E nem a carioca de Vinícius
E nem a tropicana de Alceu
E nem a escurinha de Geraldo
E nem a pastorinha de Noel
E nem a namorada de Carlinhos
E nem a superstar do Tremendão
E nem a malaguenha de Lecuona
E nem a popozuda do Tigrão

Só você, hoje elejo e elogio só você
Só você, que nem você não há nem quem nem quê.

De Haroldo Lobo com Wilson Batista
De Mário Lago e Ataulfo Alves
Não canto nem Emília nem Amélia
Nenhuma tem meus ”vivas” e meus ”salves”
E nem Angie, do stone Mick Jagger
E nem Roxanne, de Sting, do Police
E nem a mina do mamona Dinho
E nem as mina, pá! – do mano Xiz

Loira de Hervê, Loira do É O Tchan
Lôra de Gabriel, o Pensador
Laura de Mercer, Laura de Braguinha
Laura de Daniel, o trovador
Ana do Rei e Ana de Djavan
Ana do outro Rei, o do Baião
Nenhuma delas hoje cantarei
Só outra reina no meu coração

Só você, rainha aqui é só você
Só você, a musa dentre as musas de A a Z

Se um dia me surgisse uma moça
Dessas que,com seus dotes e seus dons
Inspira parte dos compositores
Na arte das palavras e dos sons
Tal como Madallene, de Jacques Brel
Ou como Madalena, de Martinho
Ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry
Ou a manequim do tímido Paulinho

Ou como, de Caymmi,a moça prosa
E a musa inspiradora Doralice
Se me surgisse uma moça dessas
Confesso que eu talvez não resistisse
Mas,veja bem, meu bem, minha querida
Isso seria só por uma vez
Uma vez só em toda a minha vida
Ou talvez duas,mas não mais que três

Só você, mais que tudo é só você
Só você, as coisas mais queridas você é

Você pra mim é o sol da minha noite
É como a rosa luz de Pixinguinha
É como a estrela pura aparecida
estrela a refulgir do Poetinha
Você, ó floré como a nuvem calma
No céu da alma
de Luiz Vieira
Você é como a luz do sol da vida
De Stevie Wonder, ó minha parceira

Você é pra mim o meu amor
Crescendo como mato em campos vastos
Mais que a Gatinha pra Erasmo Carlos
Mais que a cigana pra Ronaldo Bastos
Mais que a divina dama pra Cartola
Que a domna pra Ventadorn, Bernart
Que a Honey Baby para Waly Salomão
E a Funny Valentine para Lorenz Hart

Só você, mais que tudo e todas,é só você
Só você, que é todas elas juntas num só ser

Pra quem ainda não teve o prazer de ouvir, ou quer aproveitar a oportunidade para ouvir uma vez mais e – porque não? – acompanhar a letra e soltar a voz, segue o vídeo (com uma legenda esperta em francês! rs).

Editado: Gente, graças à Cynthia Fiuza eu pude completar os links! Ela passou por aqui e deixou a dica para todos aquelas referências que eu não havia encontrado nos comentários e eu já atualizei na letra da música ali em cima! Obrigada, Cynthia!

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Tempo, tempo, tempo

15/03/2011

A cada dia a gente tem a impressão de que o tempo corre mais rápido e, quando a gente comenta isso com os outros, todos costumam concordar. Eu sempre acreditei nisso, não compreendendo, porém, ao certo, o porquê, mas tendo uma certeza empírica que, de fato, as coisas são assim, mais velozes a cada dia. Confesso que, também, nunca busquei uma explicação para este fenômeno, mas um dia ela veio até mim.

Na faculdade de Geografia, tive aula com um dos grandes geógrafos brasileiros, seu nome é Roberto Lobato Correa, me orgulho muito de ter feito parte de sua penúltima turma de alunos na graduação antes de sua aposentadoria compulsória. Do alto de seus quase 70 anos, o velhinho já não ouvia e nem enxergava como antes, mas memorizava os nomes dos alunos pela posição em que se sentavam na sala, já  não tinha mais acuidade visual para desvendar as fisionomias. O que, naturalmente, era um problema, já que – por mais que houvesse um acordo tácito de quem sentaria onde – era normal que houvesse um rodízio de lugares.

Pois bem, a disciplina que estudei com o professor Lobato foi Geografia Cultural e, no meio de tantas discussões sobre espaço – o objeto maior da Geografia – não pudemos prescindir de apreciações teóricas acerca do tempo. Foi quando mais um mistério se revelou para mim, foi quando meu horizonte chegou um pouquinho mais para trás e foi mais um daqueles momentos em que a gente percebe que não sabe nada.

A nossa relação com o tempo muda ao longo da vida. Quando fui um bebê de um mês de vida, um dia representou três por cento do meu tempo de existência. Hoje, tenho 25 anos e o que é um dia para quem já viveu quase dez mil deles? E foi nesse momento que eu compreendi esse mecanismo tão óbvio, mas que nunca havia se revelado para mim. Só então eu entendi porque chega uma época na vida em que o descartável não serve mais, uma época em que o que importa é o que podemos fazer permanecer.

Mas tenho só 25 anos e ainda pretendo viver por muito e muito tempo e o meu conceito de durável já não será mais o que é.

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Equívocos estruturais

25/02/2011

Você tem a sensação de que há coisas na sua vida, características suas sobre as quais você não tem nenhuma responsabilidade, que simplesmente estão erradas? Bom, deixa eu tentar formular melhor a pergunta. Quando você olha para si, vê algo que você nunca escolheu, mas que não reconhece como seu? Algo que não te pertence?

Pois comigo isso acontece. Deixa-me explicar. Eu fiz uma cirurgia plástica há uns 6 anos atrás e, depois da cirurgia tive a sensação de que agora eu estava do jeito que eu realmente era; as coisas do jeito que eram antes estavam erradas, eram equívocos estruturais, características que eu tinha a missão de corrigir para que eu pudesse ser, de fato, quem eu sou.

Mas o pior equívoco estrutural da minha existência chama-se cabelo. No cabelo não dá pra fazer uma cirurgia e corrigi-lo definitivamente, o maldito se renova todos os dias. O pior de tudo é que a vida me pregou uma peça; quando eu era criança tinha um cabelo liso, cheio, pesado e maravilhoso; mas a convulsão hormonal da adolescência deixou o meu cabelo, digamos, bastante antiestético. Aí é que constatamos a frieza da vida: essa infeliz planejou a data certa para o começo da minha agonia!

Já fiz de tudo para tentar corrigir as minhas madeixas, ou melhor, para tentar transformá-las nas minhas madeixas, já gastei muito dinheiro. Atualmente estou fazendo uma escova inteligente fantástica que me aproxima bastante do que sou. E, diante da minha impossibilidade de resolver este problema em definitivo, resta-me somente seguir em minha saga em busca de mim mesma.

 

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Beleza brasileira

22/02/2011

Lembro a primeira vez que assisti ao filme Beleza Americana. Foi na escola, na aula de Psicologia, no 2º ano do ensino médio, no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro, em 2001. Achei o filme louco e, especialmente o filminho da sacola plástica voando, absolutamente irracional.

Mas o tempo passa, as coisas mudam e hoje eu consigo apreciar o filme, vendo-o com outros olhos, os olhos de 10 anos depois, encontrando entrelinhas e entendendo críticas. Ou pelo menos acho que entendo, acho que encontro. Talvez encontre a mim mesma e não a nada que alguém quis dizer.

Foram esses mesmos outros olhos que flagraram uma cena inusitada. Andava eu pela praia da Ferradura, em Búzios, com uma câmera na mão, procurando um momento para eternizar, quando encontrei a própria eternidade. Tudo vai e vem, tudo nasce e morre num movimento ininterrupto e nem um pouco constante. Foi isso que aquele côco me disse. Veja o vídeo.