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Chuva, formigas e celular

17/12/2010

Passadas 48 horas do acontecido, já me sinto em condições de falar a respeito.

Sabe aqueles dias nos quais você se mobiliza em prol de uma única atividade? À noite você tem um compromisso, então você passa o dia – que já começa na metade – nos ajustes para o que vai acontecer mais tarde. Pois bem, meu dia 15 de dezembro foi um desses dias. Meu marido me chamou para ir com ele na confraternização de final de ano de sua empresa e eu, porque não tenho nenhum critério, topei.

Tinha que estar bonitinha na festa, né? Por isso saí pra colocar os dois botões da minha calça, que haviam caído, porque eu queria ir com aquela calça e só servia aquela calça. Saí, peguei um ônibus, fui na lojinha e voltei com a calça com os botõezinhos bonitinhos super presos. Ao chegar em casa olhei para as minhas mãos e notei que minhas unhas estavam completamente ridículas: entrei no meu quarto, liguei o condicionador de ar, coloquei um filminho no notebook e dediquei a próxima hora e meia a deixar minhas unhas lindas e vermelhas. Ao terminar percebi que eu tinha um pequeno problema – o tempo –, já era a hora em que eu planejava sair de casa. Paciência, antes atrasada e bonitinha que pontual e embarangada.

Fui tomar banho, lavei as madeixas, fiquei cheirosinha. Peguei meu mega-ultra-power secador e comecei a esculpir o penteado. Experimentei algumas blusas e optei pela primeira, é claro. Coloquei aquele salto, fiz minha maquiagem – super básica, mas eficaz –, olhei pro espelho e gostei do que vi. Peguei a bolsa e quando fui fechar a janela pra sair de casa, dei de cara com ela: a maldita chuva. Mas como o ônibus passa na porta do meu condomínio, não teria problema, a maldade da umidade não ia conseguir me destrir; era só pegar o guarda-chuva e sobreviver.

Olho numa bolsa, olho na outra, na mesa, no chão, em toda parte, em qualquer lugar: CADÊ MEU GUARDA-CHUVA? “Ok, respira e pensa numa solução Emanoelle! (…) Já sei! Vou pegar meu lenço estiloso e enrolar na cabeça, afinal o ônibus passa aqui na frente e tem a marquise da banca de jornal!” Assim eu conseguiria dar um olé na chuva e manter meu cabelo lindo e modelado. Como sou muito espertinha, deu tudo certo, tinha umas goteirinhas na marquise, mas nada demais. Chegando sob a banca de jornal, liguei pro marido: “Amor, ó, já tô esperando o ônib… ah, meu Deus, peraí, ah, meu Deus!” Não, não era o ônibus passando. Ainda não.

Escolhi a dedo o local: estava em pé em cima de um formigueiro, daquelas formiguinhas de fogo, sabe? que dói quando pica. Desliguei o telefone loucamente, joguei um sapato longe e comecei a tirar o alimento das formigas, fiz a mesma coisa com o outro sapato e… tá vindo o ônibus! Saí correndo e fiz sinal: O MOTORISTA ESTAVA FALANDO NO CELULAR E NÃO ME VIU! Eu fiquei maluca e comecei a grotar “motorista!!!”, mas como eu já disse, o motorista estava no celular e não me viu.

Que ódio! A essa altura do campeonato, não tinha mais cabelo esculpido, eu já tava toda molhada e com tanta raiva no meu coraçãozinho que a melhor coisa a fazer era voltar pra casa. Tava com tanta raiva que subi as escadas do prédio chorando e torcendo pra não cruzar com ninguém, pois não tinha condições nem de cumprimentar qualquer um.

Liguei pro marido e dei a sentença: NÃO VOU! – aos berros, é claro. Me joguei na cama e percebi que só me restava uma alternativa: pedir pizza e comer até não aguentar mais. Agora, estou aqui, 48 horas depois, duas pizzas mais gorda e com umas 10 picadas de formigas nos pés.

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