Posts Tagged ‘esquisitice’

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Sétimo sentido

22/07/2011

Dizem por aí que as mulheres têm sexto sentido, né? Eu concordo. Aliás, acho que tenho um sexto sentido muito bem desenvolvido. Eu acredito muito que consigo ter impressões sobre as coisas, pessoas e situações que vão muito além da objetividade sensorial.

Quer um exemplo? Semana passada eu saí pra cumprir dois compromissos de trabalho: acordei cedo, me arrumei, peguei o ônibus. Depois de uns 40 minutos neste primeiro ônibus, desci para pegar o outro ônibus que me deixaria no primeiro local de destino. Estava ali aguardando o segundo ônibus e resolvi voltar para casa, não estava me sentindo confortável. Mais 40 minutos de viagem e cheguei em casa. Cerca de uma hora e meia depois de chegar em casa, tive uma dor de barriga descomunal. Se eu não tivesse voltado pra casa, naquele momento eu estaria dentro de um ônibus entre o Recreio e São Conrado: o que seria da minha vida?

Não, eu não estava com dor de barriga antes. Sim, eu poderia cumprir estes compromissos profissionais posteriormente. Deu tudo certo.

Bom, mas como o título deste post revela, não estou aqui para falar do sexto sentido, mas do sétimo. Eu tenho sétimo sentido. Pelo menos é assim que eu chamo minha sensibilidade para alterações no tempo. Eu sinto quando o tempo vai mudar. Bom, na verdade eu não sinto todas as mudanças, só quando o tempo vai esfriar e vai chover. Sinto dores agudas nas articulações e pontadas nos ouvidos. Além disso, faço mais xixi.

Frequentemente, quando falo sobre minhas sensações, e as associo a mudança de tempo, sou vítima de chacota: isso é coisa de velha maluca. Mas não é, não, meus amigos. Existe, inclusive, um ramo da Geografia da Saúde que investiga a relação entre clima e vulnerabilidade, chama-se Climatologia Médica. Descobri isso no primeiro período da faculdade e fiquei aliviada, por que eu já estava quase convencida que era doida.

É isso, amigos, esse é o desabafo de alguém que sofre bullying toda vez que expõe seu sétimo sentido. Escrevi esse texto motivada pelo meu pai: ontem estávamos no carro, meu cotovelo começou a doer fortemente e eu disse a ele que hoje iria chover. Ele disse que não acreditava, que isso era maluquice. Está chovendo.

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Proibido colocar macumba

27/04/2011

Fiquei triste ao ver esta placa no larguinho aqui perto de casa. Não, não fiquei triste porque eu costumava colocar macumba ali, fiquei triste porque a macumba ali naquele lugar me rendeu boas risadas e uma boa história.

Perto daquele larguinho, do outro lado da rua, há um ponto de ônibus. Ponto este, no qual desço muitas vezes que volto de ônibus para casa. Eu sempre atravesso a rua e passo pelo largo, que freqüentemente era sede de manifestações religiosas, para vir pra casa. Não sou muito fã, digamos assim, destas manifestações porque elas poluem muito o ambiente. Respeito a fé das pessoas, mas acho que quando a fé suja a cidade, ela não é tão legal assim.

Pois bem, certo dia, voltava pra casa, quando – depois de descer do ônibus – passei pelo larguinho. Eu sempre fico no larguinho esperando para atravessar o outro pedaço da rua e nesse dia não foi diferente. Estava lá parada quando olhei para baixo, assim meio pro lado e estava lá uma macumba. Não era uma macumba com galinha morta e farofa, era uma macumba diferente: TINHA UM MIOJO NA MACUMBA.

Aí fiquei pensando, que coisa interessante, né? As religiões como um todo estão se adaptando à modernidade, ninguém tem tempo pra mais nada. Matar galinha faz perder muito tempo, fazer farofa também. E comprar um bode? Nem se fala… Além disso, miojo não atrai urubu, o que é super positivo. Só acho que seria melhor colocar o miojo fora da embalagem, porque a embalagem não é biodegradável, seria mais ecológico.

A pessoa que fez esse trabalho devia estar querendo seu amor de volta em três minutos. Será?

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Meme: Aos 25…

30/03/2011

Este post é o primeiro meme do meu blog. A inspiração veio do blog da Rachel – uma amiga de muito tempo atrás com quem tive uma amizade bem legal durante algum tempo, chegamos até a dividir um namorado, mas isso já faz 10 anos. Aliás, essa é uma história interessante: eu gostava do menino aí começamos a namorar, só que ele gostava dela, aí terminou comigo e ficou com ela, só que ela nem gostava muito dele e terminou o namoro com ele e ele ficou sem ninguém – quase a Quadrilha do Drummond. Bom, mas tudo isso serviu para que nos aproximássemos e tornássemos amigas. Hoje nossa relação se dá em âmbito virtual, mas tenho excelentes lembranças de bons momentos passados juntas.

Aí vai o meme:

Aos 25…

Eu sou bem-humorada.

Eu quero ser mais otimista.

Na minha casa tem muito trabalho, mas, contraditoriamente, só lá eu descanso.

Eu encano com o que devem estar pensando ao meu respeito.

E acredito em Deus, e que sua essência é o amor.

Tenho medo de não terminar as coisas que começo.

Acho graça em coisas bobas, como bebês fofinhos e pessoas falando errado, aliás, adoro falar errado, trocar sílabas, me divirto muito!

Choro com qualquer coisa, eu estou cada vez mais chorona. Choro vendo jornal, novela, filme, comercial, quando ouço palavras bonitas etc.

Não vivo sem carinho.

Tenho mania de comer, adoro comer e como mais do que preciso.

Meus três melhores amigos são, na verdade, dois, o primeiro é meu marido e o segundo, meu grande amigo, Éric Borges.

Eu tenho como heróis a ninguém, não tenho heróis, mas admiro pessoas com histórias de superação.

Meu sex symbol é Chico Buarque de Holanda, com seus olhos ardósia, sua poesia genial e toda sua falta de habilidade social.

O amor é doação e abnegação.

Meu livro de cabeceira é nenhum, não tenho um.

Meu vinil preferido é nenhum, não possuo vinis, mas o Chico é o cara, tenho a discografia completa em mp3.

Meu sapato favorito é Havainas ever, pena que não são adequadas para toas as situações.

No meu armário não falta muito preto e branco.

Minha balada preferida é nenhuma, sem balada… cineminha, comida boa e companhia boa, sim, sempre.

Minha luta é contra a procrastinação.

Meu maior fora foi levar mais de um ano para fazer a minha monografia…

Minha bola dentro foi meu casamento (pelo menos até agora, rs).

As pessoas acham que sou grossa e estressada.

Mas eu juro que sou uma fofa com coração de manteiga.

O que eu mais ouço é Calma, Nô*”…

Eu me sinto livre quando termino de fazer algo que comecei.

Rezo para ser uma pessoa melhor a cada dia, para ajudar aos demais.

Meu ponto fraco é, na verdade são muitos, mas destaco a falta de persistência.

Meu grande charme é, hum, bem, desconheço, hahahahah.

No chuveiro, eu canto qualquer coisa que eu lembrar, aos berros.

De madrugada, eu tento dormir, se não consigo, surto pensando na vida.

Meu meio de transporte é ônibus, trem, metrô, van, carona, o que vier, não estou em condições de escolher.

Eu tenho a ilusão de ter um sexto sentido fenomenal.

Se alguém disser que eu serei presidente eu respondo “aham, senta lá”.

*A maioria das pessoas não sabe, mas meu principal apelido – não em popularidade, mas em tempo de existência – é Nô. Toda minha família, parentes e amigos que convivem na minha casa me chamam de Nô. A explicação é que quando eu era uma bebezinha e estava aprendendo a falar, minha mãe falava para eu repetir meu nome – Emanoelle – e tudo que eu conseguia dizer era Nonô. Desde então este apelido evoluiu bastante, já foi Nonozica, Nonozelda e uma série de outras variações, mas a que se consolidou foi Nô.

Se você for fazer esse meme, me conta pra eu poder ler também! *_*

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Equívocos estruturais

25/02/2011

Você tem a sensação de que há coisas na sua vida, características suas sobre as quais você não tem nenhuma responsabilidade, que simplesmente estão erradas? Bom, deixa eu tentar formular melhor a pergunta. Quando você olha para si, vê algo que você nunca escolheu, mas que não reconhece como seu? Algo que não te pertence?

Pois comigo isso acontece. Deixa-me explicar. Eu fiz uma cirurgia plástica há uns 6 anos atrás e, depois da cirurgia tive a sensação de que agora eu estava do jeito que eu realmente era; as coisas do jeito que eram antes estavam erradas, eram equívocos estruturais, características que eu tinha a missão de corrigir para que eu pudesse ser, de fato, quem eu sou.

Mas o pior equívoco estrutural da minha existência chama-se cabelo. No cabelo não dá pra fazer uma cirurgia e corrigi-lo definitivamente, o maldito se renova todos os dias. O pior de tudo é que a vida me pregou uma peça; quando eu era criança tinha um cabelo liso, cheio, pesado e maravilhoso; mas a convulsão hormonal da adolescência deixou o meu cabelo, digamos, bastante antiestético. Aí é que constatamos a frieza da vida: essa infeliz planejou a data certa para o começo da minha agonia!

Já fiz de tudo para tentar corrigir as minhas madeixas, ou melhor, para tentar transformá-las nas minhas madeixas, já gastei muito dinheiro. Atualmente estou fazendo uma escova inteligente fantástica que me aproxima bastante do que sou. E, diante da minha impossibilidade de resolver este problema em definitivo, resta-me somente seguir em minha saga em busca de mim mesma.

 

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TOC-TOQUE ou Os dedos abertos da Emanoelle Farias

04/02/2011

Esquisitices todo mundo tem. Eu conheço gente com mania de estalar o dedão do pé, gente que confere 30 vezes se trancou a porta, um mundo de gente que fala sozinha andando na rua, gente que quando está estressada coça a cabeça até se ferir e por aí vai. Mas eu não tenho medo nenhum de dizer que eu possuo uma das esquisitices mais bizarras dentre as que eu conheço, isso se não for a mais bizarra: EU TENHO PROBLEMAS EM ENCOSTAR EM MIM MESMA.

É isso mesmo, você não leu errado, eu tenho problemas no contato comigo mesma. Como assim? – você deve estar se perguntando. Calma, vou explicar. Eu tenho muito nervoso quando meus dedos tocam uns nos outros, quando eu dobro a perna e a panturrilha encosta na parte traseira da coxa, quando o pescoço dobra e toca o ombro, quando o braço toca o tronco, entendeu a lógica? Se eu apóio o rosto sobre a mão, ou o cotovelo na perna, não tem problema. Eu só tenho problema com contatos involuntários e duradouros. No calor, então? Fico absolutamente desesperada com estes toques lubrificados pelo suor. Quando gruda eu entro em parafuso.

Lembro que a felicidade da minha vida, foi quando, andando pelas ruas de São Paulo encontrei um camelô vendendo meias com espaço separado pros cinco dedinhos! (Porque, se você não sabe, em São Paulo as pessoas vendem muitas meias pelas ruas, muitas mesmo.) Eu fiquei emocionada em encontrar parte da solução do meu problema. Aqui no Rio eu já havia comprado aquelas com o dedão separado, mas o alívio que a dos cinco dedinhos proporciona é incomparável.

Se eu fosse você, leitor, uma pessoa normal com esquisitices razoáveis, eu estaria me perguntando como é possível viver dessa forma. Mas, graças a Deus, minha esquisitice tem mais um aspecto: ela é intermitente. Isso quer dizer, que ela não acontece o tempo todo, só quando eu me lembro que sou esquisita, juro. Agora, por exemplo, estou com os dedos dos pés super arreganhados, mas daqui a pouco esquecerei e os deixarei encostadinhos sem maiores problemas. Portanto, se em algum momento você quiser me desestabilizar, mencione o fato de eu estar tocando a mim mesma que você terá sucesso.