Posts Tagged ‘tempo’

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Não tenho tempo

22/08/2011

Você costuma dizer muito essa frase? Eu até digo, mas só quando a proposta é para fazer alguma coisa que não me interessa muito. Por isso, não lido bem quando amigos dizem que não tem tempo uns para os outros. Não existe trabalho, estudo, doença, responsabilidade, distância, cuidado com a casa que me impeça de fazer aquilo que quero, que me faz feliz e que eu acho importante, por mais fútil, por mais inútil que pareça.

Jogar conversa fora, dar uma volta por aí, sentar num lugar pra tomar uma Coca-Cola, fazer uma comidinha em casa pra receber uma pessoa especial… Isso é fundamental para trazer um pouco de doçura para nossos amargos dias cheios de preocupação.

Ok, talvez de fato, você não tenha tempo útil. Mas não diga “não tenho tempo” para coisas importantes. Dê um jeito, durma mais tarde um dia. Faça o tempo.

Começando a encerrar este post desabafo, deixo uma foto minha no Itamaraty, ao lado da representação do poetinha Vinícius de Moraes e um de seus versos que muito me encanta: “Ando onde há espaço, meu tempo é quando”.

Terminando de finalizar, um belo vídeo da Betânia recitando Poética, do Vinícius, e cantando Oração ao Tempo, do Caetano.

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Sétimo sentido

22/07/2011

Dizem por aí que as mulheres têm sexto sentido, né? Eu concordo. Aliás, acho que tenho um sexto sentido muito bem desenvolvido. Eu acredito muito que consigo ter impressões sobre as coisas, pessoas e situações que vão muito além da objetividade sensorial.

Quer um exemplo? Semana passada eu saí pra cumprir dois compromissos de trabalho: acordei cedo, me arrumei, peguei o ônibus. Depois de uns 40 minutos neste primeiro ônibus, desci para pegar o outro ônibus que me deixaria no primeiro local de destino. Estava ali aguardando o segundo ônibus e resolvi voltar para casa, não estava me sentindo confortável. Mais 40 minutos de viagem e cheguei em casa. Cerca de uma hora e meia depois de chegar em casa, tive uma dor de barriga descomunal. Se eu não tivesse voltado pra casa, naquele momento eu estaria dentro de um ônibus entre o Recreio e São Conrado: o que seria da minha vida?

Não, eu não estava com dor de barriga antes. Sim, eu poderia cumprir estes compromissos profissionais posteriormente. Deu tudo certo.

Bom, mas como o título deste post revela, não estou aqui para falar do sexto sentido, mas do sétimo. Eu tenho sétimo sentido. Pelo menos é assim que eu chamo minha sensibilidade para alterações no tempo. Eu sinto quando o tempo vai mudar. Bom, na verdade eu não sinto todas as mudanças, só quando o tempo vai esfriar e vai chover. Sinto dores agudas nas articulações e pontadas nos ouvidos. Além disso, faço mais xixi.

Frequentemente, quando falo sobre minhas sensações, e as associo a mudança de tempo, sou vítima de chacota: isso é coisa de velha maluca. Mas não é, não, meus amigos. Existe, inclusive, um ramo da Geografia da Saúde que investiga a relação entre clima e vulnerabilidade, chama-se Climatologia Médica. Descobri isso no primeiro período da faculdade e fiquei aliviada, por que eu já estava quase convencida que era doida.

É isso, amigos, esse é o desabafo de alguém que sofre bullying toda vez que expõe seu sétimo sentido. Escrevi esse texto motivada pelo meu pai: ontem estávamos no carro, meu cotovelo começou a doer fortemente e eu disse a ele que hoje iria chover. Ele disse que não acreditava, que isso era maluquice. Está chovendo.

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Biscoito Maizena

25/06/2011

Senti um misto de raiva e tristeza quando fui ao supermercado na semana passada. Digo isto, pois quando fui comprar o clássico Biscoito Maizena, que me saciou desde minha mais tenra infância, me deparei com sua nova embalagem.

Para quem não sabe, a antiga embalagem do tão gostoso biscoitinho que nos delicia nos pavês, deixa crocante a maravilhosa palha italiana e nos salva quando não tem mais nada pra comer em casa é considerada um clássico do movimento concretista. Ela foi concebida numa época em que as embalagens de produtos eram obras de arte e não pura e simples propaganda.

Fiquei de frente para a prateleira do mercado, fiquei de frente para o Biscoito Maizena e não consegui encontrá-lo. Senti o mesmo que um índio que estava na praia enquanto se aproximavam as caravelas portuguesas, não pude ver algo que não sabia que existia. Quando, depois de alguns instantes, consegui identificar o meu querido biscoitinho, fiquei muito nervosa, me senti muito insultada. Quem disse que eu – consumidora – queria embalagem nova? Estou preparando um email para a Piraquê pedindo o retorno da antiga embalagem por que a embalagem do Biscoito Maizena é a única obra de arte que nós, pobres, podemos ter em casa.

Abaixo você pode ver a foto da nova embalagem – que nem no Google encontrei –, para não passar pelo mesmo que passei quando for fazer suas compras. Ah, a foto é da embalagem do biscoito light, mas a do comum é igual, só que vermelha.

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Qual o tamanho do infinito?

19/05/2011

Quando pensamos em infinito, em geral, pensamos naquilo que não conseguimos ver os limites ou que não conhecemos. O céu nos parece infinito. Pensamos nas galáxias, no universo… Mas há cientistas que sugerem que o universo é finito, ainda que se encontre em freqüente expansão. Temos uma noção muito visual do infinito. Só acreditamos que nosso planeta tem fim porque vimos fotografias. Em 2006, porém, tive uma grata surpresa: um professor me ensinou que o infinito cabe na palma da minha mão. Ele disse que, matematicamente, tudo pode ser dividido eternamente. Aí eu entendi que tudo é uma grande concentração de infinito.

Quem foi que disse isso? Meu professor de Complementos da Matemática – disciplina obrigatória do curso de bacharelado em Geografia na UFRJ. Esta disciplina, que geralmente assusta os candidatos a geógrafos, me fez feliz. Eu ia duas vezes por semana, de manhã cedinho, para a faculdade ouvir histórias sobre o infinito, um macaco que caiu da árvore, perdeu o rabo e colocou um óculos, que uma mesa não é uma mesa, sobre santa Teresa de Ávila.

Pra não dizer que não havia número nas nossas aulas, uma vez nós calculamos quantos grãos de areia há na praia de Copacabana. É muito simples, respondemos às seguintes questões:

  • Qual a extensão da praia?
  • Qual a profundidade da areia?
  • Qual a largura da faixa de areia?

Assim, conseguimos saber o volume da areia da praia, em seguida, pensamos:

  • Quantos grãos de areia cabem em uma caixinha de fósforos?
  • Qual o volume de uma caixinha de fósforos?
  • Quantas caixinhas de fósforo cabem no volume de areia que calculamos antes?

Viu como é fácil? Nós calculamos os grãos de areia da praia e isso é lindo! Mais que qualquer equação que só nos leva à resposta dela mesma, como é freqüente nas aulas de matemática. Senti-me mais próxima de Deus, como se Ele tivesse compartilhado um segredo comigo.

Como se não bastasse tanta novidade, a prova final desta disciplina era você fazer o que quisesse. Eu recitei uma poesia. Passei com nota 9,4. Teve gente que tocou violão. Teve gente que contou histórias sobre seu cachorro. Teve gente até que fez fogueira e queimou dinheiro e isso é verdade, antes que você questione.

Mas porque eu fiquei com 9,4 e não 10? Por que a nota se constitui da seguinte forma:

  • Eu me dou uma nota pelo desempenho no curso como um todo.
  • Um aluno aleatório escolhido na hora me dá uma nota.
  • O professor me dá uma nota.
  • É levada em conta a freqüência nas aulas.
  • O dado é jogado.

Aí, da soma calcula-se a média aritmética e eu tenho uma nota.

O triste foi ver que tanta gente desvalorizava as aulas tão ricas desse professor, que se chama Ricardo Kubrusly, e me ensinou coisas eternas.

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Deu tudo errado, mas tá tudo certo…

13/04/2011

É, amigos, hoje, mais do que nunca, eu tenho certeza que “planos são só planos, nada mais”.

Quinta passada, justamente na hora de dormir, deitada em minha caminha, surtei. Comecei a lembrar das coisas que eu tinha para fazer e que o prazo estava se esgotando. Eu tinha que ir no colégio que terminei o ensino médio pegar a cópia do D.O.U. com a publicação da minha formatura, na faculdade colar grau e em outra faculdade me inscrever em uma pós. Desesperada com tudo isso e sem conseguir dormir, levantei da cama, liguei o pc e comecei loucamente e copiar documentos para poder fazer tudo que eu precisava na primeira hora de sexta.

Depois disso consegui dormir e acordei na sexta bem cedinho. Parti pro C.E. Brigadeiro Schorcht e, quando cheguei lá, descobri que que o D.O.U. com a publicação da minha formatura havia sido roubado. Mas só o que eu precisava, tá? Todos os outros estavam lá. Sendo assim, teria que rumar pra Assembléia Legislativa pra pegar a cópia do documento. Bom, mudei meus planos e fui pro centro. Ok, tudo certo. Com a cópia em mãos, agora eu deveria partir para o Fundão e colar o grau.

Fui pro Fundão e, chegando lá, descobri que a Secretaria Acadêmica, às sextas-feiras, não possui atendimento ao público, apenas funciona em trabalho interno (AHAM!). Todos os meus planos foram por água abaixo, pois sem concluir essa etapa, não poderia partir para a seguinte. Só me restava voltar pra casa.

Fiquei uns 40 minutos esperando o ônibus e voltei em pé para casa. Mas depois de tanta coisa dar errado, bateu aquela sensação de que não poderia ser diferente e eu me conformei, não consegui nem me lamentar, nem me irritar. Quando cheguei em casa, prometi no twitter compartilhar o dia com vocês, mas eu estava tão cansada que apaguei. Depois tive um milhão de coisas para fazer e também não tive tempo.

Felizmente na segunda-feira consegui resolver todos os problemas. É claro que não foi tudo simples e natural. Vários problemas surgiram ao longo do dia, mas todos foram contornados. E hoje, mais tranqüila e feliz, conto minha historinha para vocês.

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Tempo, tempo, tempo

15/03/2011

A cada dia a gente tem a impressão de que o tempo corre mais rápido e, quando a gente comenta isso com os outros, todos costumam concordar. Eu sempre acreditei nisso, não compreendendo, porém, ao certo, o porquê, mas tendo uma certeza empírica que, de fato, as coisas são assim, mais velozes a cada dia. Confesso que, também, nunca busquei uma explicação para este fenômeno, mas um dia ela veio até mim.

Na faculdade de Geografia, tive aula com um dos grandes geógrafos brasileiros, seu nome é Roberto Lobato Correa, me orgulho muito de ter feito parte de sua penúltima turma de alunos na graduação antes de sua aposentadoria compulsória. Do alto de seus quase 70 anos, o velhinho já não ouvia e nem enxergava como antes, mas memorizava os nomes dos alunos pela posição em que se sentavam na sala, já  não tinha mais acuidade visual para desvendar as fisionomias. O que, naturalmente, era um problema, já que – por mais que houvesse um acordo tácito de quem sentaria onde – era normal que houvesse um rodízio de lugares.

Pois bem, a disciplina que estudei com o professor Lobato foi Geografia Cultural e, no meio de tantas discussões sobre espaço – o objeto maior da Geografia – não pudemos prescindir de apreciações teóricas acerca do tempo. Foi quando mais um mistério se revelou para mim, foi quando meu horizonte chegou um pouquinho mais para trás e foi mais um daqueles momentos em que a gente percebe que não sabe nada.

A nossa relação com o tempo muda ao longo da vida. Quando fui um bebê de um mês de vida, um dia representou três por cento do meu tempo de existência. Hoje, tenho 25 anos e o que é um dia para quem já viveu quase dez mil deles? E foi nesse momento que eu compreendi esse mecanismo tão óbvio, mas que nunca havia se revelado para mim. Só então eu entendi porque chega uma época na vida em que o descartável não serve mais, uma época em que o que importa é o que podemos fazer permanecer.

Mas tenho só 25 anos e ainda pretendo viver por muito e muito tempo e o meu conceito de durável já não será mais o que é.

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Equívocos estruturais

25/02/2011

Você tem a sensação de que há coisas na sua vida, características suas sobre as quais você não tem nenhuma responsabilidade, que simplesmente estão erradas? Bom, deixa eu tentar formular melhor a pergunta. Quando você olha para si, vê algo que você nunca escolheu, mas que não reconhece como seu? Algo que não te pertence?

Pois comigo isso acontece. Deixa-me explicar. Eu fiz uma cirurgia plástica há uns 6 anos atrás e, depois da cirurgia tive a sensação de que agora eu estava do jeito que eu realmente era; as coisas do jeito que eram antes estavam erradas, eram equívocos estruturais, características que eu tinha a missão de corrigir para que eu pudesse ser, de fato, quem eu sou.

Mas o pior equívoco estrutural da minha existência chama-se cabelo. No cabelo não dá pra fazer uma cirurgia e corrigi-lo definitivamente, o maldito se renova todos os dias. O pior de tudo é que a vida me pregou uma peça; quando eu era criança tinha um cabelo liso, cheio, pesado e maravilhoso; mas a convulsão hormonal da adolescência deixou o meu cabelo, digamos, bastante antiestético. Aí é que constatamos a frieza da vida: essa infeliz planejou a data certa para o começo da minha agonia!

Já fiz de tudo para tentar corrigir as minhas madeixas, ou melhor, para tentar transformá-las nas minhas madeixas, já gastei muito dinheiro. Atualmente estou fazendo uma escova inteligente fantástica que me aproxima bastante do que sou. E, diante da minha impossibilidade de resolver este problema em definitivo, resta-me somente seguir em minha saga em busca de mim mesma.